O QUE AYN RAND TEM A VER COM A SUA CASA?
/Além da beleza: uma casa que funciona
Uma pergunta que ouço com muita frequência é: o que não pode faltar no projeto de interiores de um apartamento? Tenho refletido bastante sobre o tema. A maioria talvez espere que eu responda: identidade, um sofá confortável, um projeto de iluminação caprichado, uma peça de mobiliário icônica, objetos com memória afetiva, muitas plantas naturais e outros clichês. Concordo com tudo isso e, no meu entender, esses são elementos importantes, que já estão incorporados ao DNA do nosso escritório.
Indo mais a fundo e saindo um pouco do óbvio, acredito realmente que em uma casa, assim como em um ambiente de trabalho, não deveria faltar organização.
Uma casa organizada facilita muito a execução das tarefas diárias e só isso já é um ótimo motivo para se sentir mais leve. É evidente que um ambiente bonito também promove bem-estar (e não custa deixar claro aqui que beleza é muito pessoal), mas só isso não basta; ele também precisa funcionar.
Isso não significa ditar regras, esconder tudo dentro de armários ou transformar a rotina em uma cobrança permanente. Há quem goste de superfícies livres e quem prefira livros, lembranças e ferramentas à vista. A organização que faz sentido é aquela que respeita essas diferenças — e que cabe na vida real.
Quando o espaço acompanha nossos hábitos, fica mais fácil encontrar o que usamos, circular, trabalhar e descansar. A proposta é reduzir pequenos motivos de estresse, favorecer a produtividade e aproveitar melhor o tempo. Não para preencher cada minuto com mais tarefas, mas para ter mais escolha sobre o que fazer com ele.
Organizar é fazer escolhas conscientes
Nessa linha de raciocínio busquei uma conexão com o pensamento de Ayn Rand e do objetivismo para pensar (livremente, independente da autora, que não formulou nenhuma teoria sobre decoração, que eu saiba) a relação entre as pessoas e seus espaços, baseada na valorização da razão, do propósito e da independência.
Partindo do princípio que organizar é fazer escolhas conscientes: o que importa para mim? O que precisa estar ao alcance das mãos? O que ajuda minha rotina, e o que apenas ocupa espaço? Em ambientes compartilhados, essas perguntas também pedem acordos que respeitem quem convive ali.
No design de interiores, isso pode se traduzir em uma circulação mais fluída, armazenamento próximo ao local de uso e móveis compatíveis com as atividades do dia a dia. Tudo isso envolvido por cores e materiais que toquem a alma e por peças carregadas de significado. A beleza não precisa ser sacrificada à função, nem a personalidade apagada em nome da ordem. O projeto pode reunir as três.
FONTE: OBJETIVISMO BRASIL
Um espaço a serviço da sua vida
Para nós, a verdadeira liberdade nessa relação com o espaço não está em controlar cada detalhe. Está em poder criar, produzir, receber pessoas ou simplesmente descansar, sem que a manutenção de uma imagem perfeita se torne mais uma obrigação. E com o conforto de saber exatamente onde encontrar e colocar seus objetos.
Na Ungaretti Costacurta Arquitetura, esse olhar global orienta nossos projetos, o gerenciamento de obras e a consultoria para quem quer comprar um apartamento: pensar o espaço a partir da vida que se deseja construir nele, e não de um padrão que todos deveriam seguir.
Afinal, o espaço deve servir à sua vida — não o contrário.
